Fluxos de enxofre e metais durante a alteração hidrotermal da crosta oceânica
Biografia
Ana Jesus é Professora Auxiliar no Departamento de Ciências da Terra e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e membro do Instituto Dom Luiz. A sua investigação centra-se em intrusões máficas e ultramáficas bandadas e na metalogénese de sistemas ortomagmáticos, com particular enfoque na Sequência Gabróica Bandada de Beja (LGS), onde desenvolveu modelos petrogenéticos integrados para mineralizações de óxidos Fe-Ti-V e sulfuretos. Integrou a German University of Technology in Oman e o Oman Drilling Project (ICDP), investigando processos de acreção e alteração hidrotermal da crosta oceânica no ofiólito de Samail. Foi distinguida com uma Marie Curie Fellowship para estudar fluxos de metais e enxofre na crosta oceânica associados à formação de depósitos VMS. Mais recentemente, o projeto europeu SEMACRET reforçou o seu trabalho na metalogénese ortomagmática e na caracterização cartográfica e geoquímica da LGS.
Título da Palestra
Fluxos de enxofre e metais durante a alteração hidrotermal da crosta oceânica.
A circulação hidrotermal modifica a composição da crosta oceânica através da interação entre a água do mar e rochas basálticas, influencia a composição dos oceanos ao longo do tempo e do manto devido à subducção da crosta alterada. Nas dorsais de expansão rápida, o calor da lente de magma axial (AML) sustenta sistemas hidrotermais associados à formação de depósitos de Sulfuretos Maciços Vulcanogénicos (VMS). Para avaliar e profundidade da circulação hidrotermal na crosta oceânica e identificar das fontes metálicas dos VMS, foi estudado um perfil crustal no Ofiolito de Samail em Omã. As variações isotópicas na crosta superior indicam fluxos hidrotermais mais intensos do que na crosta oceânica moderna e derivação de metais maioritariamente das rochas vulcânicas superficiais. A crosta inferior retém a sua assinatura isotópica magmática, mas a preservação de sulfatos em falhas oceânicas transcrustais implica a introdução de água do mar a grande profundidade através de fluxo focalizado. A transição crosta-manto regista circulação de fluidos altamente confinada que gerou rodingitos e um sistema mineralizado incipiente em rochas ultramáficas.
Paleozoico sedimentar português: quem somos, de onde viemos, para onde vamos?
Biografia
Natural de Águeda (Aveiro), licenciada em Geologia (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com último ano na Universidade Complutense de Madrid) e doutorada em Paleontologia e Estratigrafia pela Universidade de Lisboa em 2017 (Trilobites do Ordovícico Superior da Zona Centro-Ibérica Portuguesa). Atualmente é professora auxiliar no Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, cidade onde estádesde 2019 como investigadora do Centro de Geociências.
As suas áreas de investigação são sobretudo trilobites do domínio peri-gondwânico de alta latitude, estratigrafia e cartografia geológica da Zona Centro-Ibérica e paleobiogeografia do Paleozoico inferior. Em tempos obscuros dedicou-se também à bioerosão de conchas de bivalves do Miocénico e à divulgação científica de recursos minerais metálicos. Geralmente, tem bom feitio (mas não perguntem à mãe dela).
Título da Palestra
Paleozoico sedimentar português: quem somos, de onde viemos, para onde vamos?
Em 1870, o jovem Nery Delgado lançava os seus Breves Apontamentos sobre os Terrenos Paleozoicos do nosso Paiz. Este ‘acanhado ensaio’ (palavras do próprio) foi o gesto fundador do estudo do Paleozoico português. Desde então, construiu-se um edifício científico notável, pautado por várias sínteses abrangentes antes da fragmentação em superespecialidades que, cada vez mais, se impõe. Nesta exposição, centrada no Paleozoico de cariz essencialmente sedimentar (i.e., até àquele metamorfismo que apenas aconchegou), faremos uma viagem pelos protagonistas e pelos momentos-charneira que definiram o conhecimento e as heranças – as produtivas e as problemáticas – que ainda moldam o nosso olhar. Iremos percorrer alguns casos emblemáticos do Câmbrico ao Carbónico e, quem sabe, até ao Pérmico, para discutir o estado da arte, novas leituras estratigráficas e estruturais e questões que permanecem em aberto. Entre avanços recentes ou equívocos persistentes, propõe-se um balanço crítico e construtivo sobre o que sabemos, o que julgamos saber e o que ainda falta compreender. Porque a melhor homenagem à história do Paleozoico português é continuar a interrogá-lo.
Las ofiolitas de los complejos alóctonos de galicia: apertura y cierre de cuencas oceánicas en un margen continental activo
Biografia
Sonia Sánchez Martínez es Profesora Titular de Petrología y Geoquímica en la Universidad Complutense de Madrid, donde obtuvo la Licenciatura en Geología y el Título de Doctora en 2007. Su trayectoria investigadora incluye una estancia posdoctoral de dos años en la Goethe Universität Frankfurt am Main y un periodo de investigación en el Consejo Superior de Investigaciones Científicas, así como estancias predoctorales en el Natural History Museum de Londres y en Cardiff University. Desde el inicio de su carrera ha participado en varios proyectos del Plan Nacional de I+D.
Su investigación se centra en la geoquímica de roca total, la geocronología y la geoquímica isotópica de rocas ígneas y metamórficas, con especial énfasis en la caracterización de secuencias ofiolíticas del Macizo Ibérico y su implicación en la reconstrucción paleogeográfica del margen de Gondwana y la formación de Pangea. Asimismo, desarrolla una línea complementaria sobre secuencias paleosedimentarias mediante datación U-Pb y estudios isotópicos Lu-Hf en circones detríticos, y cuenta con amplia experiencia en técnicas analíticas avanzadas. Comprometida con la divulgación científica, forma parte del Comité Científico del Geoparque Mundial UNESCO Cabo Ortegal y colabora activamente en iniciativas de proyección nacional e internacional de la Geología Gallega.
Título da Palestra
Las ofiolitas de los complejos alóctonos de galicia: apertura y cierre de cuencas oceánicas en un margen continental activo.
En el NW del Macizo Ibérico, los Complejos Alóctonos de Galicia contienen una sección bien preservada de una zona de sutura del Orógeno Varisco. En ella se registran distintas unidades ofiolíticas imbricadas entre dos terrenos de afinidad continental o de arco volcánico, las cuales se han agrupado en función de su posición estructural y edad. Las Ofiolitas Inferiores presentan protolitos de edad c. 500 Ma, mientras que las Ofiolitas Superiores incluyen secuencias máficas datadas en 395-400 Ma, siendo éste el grupo de ofiolitas más representativo en el Orógeno Varisco. Además, en el Complejo de Cabo Ortegal se localiza también una mélange de serpentinitas, que incluye litologías de afinidad oceánica. En conjunto, estas ofiolitas son los testigos de parte de los dominios oceánicos peri-Gondwánicos que existieron entre el Cámbrico y el ensamblado final de Pangea.
Las características litológicas y geoquímicas de estas ofiolitas se alejan de los tipos de dorsal oceánica convencionales, mostrando más bien rasgos asociados a litosferas oceánicas generadas en contextos de supra-subducción o en cuencas efímeras tipo pull-apart. La Ofiolita de Vila de Cruces refleja la apertura de una cuenca de back-arc asociada a la actividad de un arco volcánico peri-Gondwánico activo durante el Cámbrico, en contraposición con la Ofiolita de Bazar que tiene unas características oceánicas más típicas, por lo que podría ser un resto del océano peri-Gondwanico exterior acrecionado bajo el arco. Por su parte, las ofiolitas devónicas representan litosfera oceánica generada en una cuenca transcurrente desarrollada durante la convergencia dextra de Gondwana y Laurussia, y después de un primer episodio de colisión continental. La arquitectura superpuesta de ambos cinturones ofiolíticos evidencia que la colisión Varisca no fue un proceso simple, sino que incluyó al menos dos episodios distintos separados por periodos de apertura de cuencas oceánicas efímeras. Las ofiolitas del NW del Macizo Ibérico son elementos clave para comprender los eventos tectonotermales más antiguos asociados al ensamblado de Pangea.